domingo, 31 de agosto de 2008

Lento no rápido tempo.

As fotos desbotam
Fotos que não são fotos
São impressões borradas
Das luzes dos sorrisos que partem

O tempo esfarela
As nossas imagens estáticas
A intempérie corroe
As nossas lembranças

Corpo que vai com o vento
É tão pó quanto a poeira
Quando o ocaso sobrevier
O último vislumbre escurecerá

Meus pés acompanham os passos
Dos pés de semi-vivos
Meu corpo segue a marcha
Da esperança pelo nada

Os vales escuros se aprofundam
Correm mais águas amargas
Está tudo escuro!
Não vejo mais os caminhos...
Porque o viajante segue sem porquê?

Lá no fim, parecia haver uma boa paragem
Mas o sonho se mostrou sonho
O olho, depois da forte luz,
Pôde ver claramente a ilusão:

Um fantasma a dançar
Tal qual um palhaço
Gargalhando debochado
Cintilando em mil cores,
Como um camaleão

Arré! Mas que convite
Faz a fada da misantropia
Sugere o afastamento
De tudo quanto é humano

Como o mundo gira e flui
Tal como Heráclito intuiu
Como tudo escapa...
Mesmo o remoto
Que às vezes parece tão perto

Quanto engano
O mundo é um baile de máscaras
Todos dançam se exibindo
Tão sutis em seu mistério
Não sabem que se perdem

A vivência é uma efeméride
Num dançar de uma folha no ar
O tempo nos arranca uma lasca
Bem devagar, o pai do porta-égide
Nos devora